Por um veganismo popular e inclusivo
UVA e a carta de Recife

UVA e a carta de Recife

O que é a UVA?

 

A União Vegana de Ativismo – UVA foi fundada em outubro de 2018 a partir da necessidade da afirmação do veganismo como um movimento social, em defesa da consideração moral de todos os animais, humanos e não-humanos. Acreditamos que o veganismo deve se articular a outras lutas por justiça social e ser disseminado de uma forma acessível e popular. 

A UVA é um coletivo que tem como objetivos articular, dar visibilidade, e apoiar ativistas e grupos locais, nacionais ou internacionais, que praticam e difundem o veganismo nesta mesma perspectiva. 

Nossas práticas se baseiam em relações horizontais e democráticas, sempre buscando o consenso como maneira mais adequada de tomada de decisões. Consideramos fundamental uma prática reflexiva constante para desafiar nosso ativismo a desconstruir preceitos arraigados em nossa sociedade. 

Baseamos nossa atuação nos seguintes princípios:

  1. Antiespecismo, com igual consideração pelos animais humanos e não-humanos, uma vez que nenhum animal ou pessoa deve ser considerado propriedade, objeto ou recurso.
  2. Justiça social, equidade de gênero, raça, sexualidade e etnia, pautando nossa atuação contra todas as formas de opressão e violação de corpos, lutando pelos direitos animais e direitos humanos.
  3. Soberania alimentar e Direito Humano à Alimentação Adequada, articulando a luta do veganismo com os mesmos;
  4. Saúde, sustentabilidade e justiça como norteadores das mudanças necessárias para abolição do uso de animais;
  5. Veganismo popular, combate a preconceitos, promoção da libertação animal e descolonização de hábitos. Disseminação da alimentação vegetariana, de informações nutricionais e demais práticas alternativas à exploração dos animais não humanos de forma autônoma ou mais acessível economicamente e disponível para todas as classes sociais;
  6. Autonomia, baseada na criação de espaços para diálogo, troca de conhecimentos e na possibilidade de decisões conscientes; 
  7. Laicismo
  8. Suprapartidarismo. Defendemos o direito da livre expressão e organização político/ideológica de cada indivíduo desde que isso não fira os demais princípios, bem como a nossa autonomia.)

Acreditamos que além do resultado final que desejamos, que é a liberdade para todos os seres, nos importa também escolher caminhos que valorizem a solidariedade, a escuta atenta, o diálogo, o aprendizado e a construção coletiva. Com a alegria que desafia as injustiças sedimentadas, com cores, sons, ritmos, sabores e afetos que compõem a nossa resistência criativa.

Declaração de Recife

 

Como participantes do ENUVA, discutimos e apoiamos princípios e diretivas, que expressamos de forma resumida a seguir: 

Entendemos e apoiamos a criação de um movimento antiespecista que pauta conexões e solidariedade política entre lutas, luta contra as estruturas de opressão e contra a exploração capitalista, pois entendemos que não há emancipação animal sem o fim desse sistema econômico. 

Entendemos e nos comprometemos com a necessidade da construção de alternativas reais ecológicas pautadas pela soberania alimentar, acesso à informação, fortalecimento de comunidades locais, alianças com movimentos sociais, a descolonização de nossas vidas e práticas; a aproximação entre o campo, as florestas, os territórios e as cidades; a promoção da saúde de animais humanos, animais não-humanos e biomas; e fortalecimento de eixos de economia solidária. 

Entendemos a necessidade de responsabilizar agentes de exploração animal, mas sabemos que o sistema penal é racista, elitista e seletivo. Portanto, priorizamos ações de prevenção e favorecemos a recuperação pedagógica de indivíduos. Todavia, reconhecemos que em casos de políticas mais duras, que estas sejam reservadas às corporações que exploram e matam há tanto tempo de forma impune. 

Considerando esses princípios e compromissos, propomos a construção de iniciativas práticas como: mais formação política sobre as conexões entre a causa animal e outras lutas, promovendo alinhamento entre nossa teoria e prática, o fortalecimento de táticas de co municação diversas; ações diretas de libertação animal, atuação em espaços educacionais sobre veganismo e emancipação animal, produção de material voltado para a ação, intervenção em movimentos sociais e fortalecimento de seus representantes, e a criação de espaços organizativos e de formulação estratégica onde possamos avançar mais ainda os debates do nosso encontro. 

Afinal, acreditamos que o veganismo deve se articular a outras lutas por justiça social e ser disseminado de uma forma acessível e popular.

 

Recife, 6 de Julho de 2019. 

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